DEZEMBRO 2025 A JUNHO 2026

Novas Invasões: o festival do tempo suspenso

Trazemos-lhe alguns dos momentos visuais mais cativantes destes três dias de deslumbre criativo.

Ilustração: Inês Machado

Há algo nas bienais que, para lá do simples intervalo no calendário, as distingue dos eventos anuais: a distância entre edições cria expectativa, dá tempo à reflexão e impede a cristalização do hábito. Obriga, sobretudo, à renovação de ideias, à diversidade de linguagens e ao assumir de riscos. No Festival Novas Invasões, essa cadência não é apenas estrutural, antes parte do seu modo de pensar a relação entre a arte, a cidade e a memória.

Realizado em Torres Vedras, o Novas Invasões parte do contexto histórico das Invasões Francesas para lançar um desafio contemporâneo: repensar o próprio conceito de “invasão” como força criativa. O passado funciona aqui como ponto de partida — não como cenário fixo — para um festival que cruza criação artística, experimentação e reflexão sobre identidade e espaço público.

A cada edição, o festival afirma uma forte aposta na contemporaneidade e na criação artística, ocupando a cidade com performances, música, teatro, dança, instalações e propostas imersivas que reinventam largos, praças e ruas. O espaço público transforma-se em palco e laboratório, convidando o público a encontros inesperados e a uma experiência ativa da cidade.

Neste contexto, iniciativas de carácter popular, como o Mercado Oitocentista, coexistem com as propostas artísticas mais experimentais. Funcionam como pontos de contacto e de mobilização do público, ajudando a criar um ambiente festivo e inclusivo, sem diluir a identidade artística do festival. Essa convivência entre linguagens — do popular ao experimental — é uma das marcas do Novas Invasões e um dos fatores que mais contribuem para a sua vitalidade.

Na edição de 2025, sob a direção artística de João Garcia Miguel, o festival reforçou essa dimensão de risco e de abertura. Mais do que apresentar espetáculos, propôs um tempo suspenso, um intervalo onde a cidade se deixou atravessar por outras narrativas, outros ritmos e outras formas de estar.

Bienal por natureza, o Novas Invasões afirma-se como um processo em constante reinvenção. Um festival que não se repete, que não se acomoda — e que lembra que as cidades ganham quando aceitam ser, de tempos a tempos, criativamente invadidas.

Como fazemos desde a primeira edição, trazemos-lhe alguns dos momentos visuais mais cativantes destes três dias de deslumbre criativo. 

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