Situado a norte da freguesia de Bucelas, junto à aldeia de Alrota, o Forte da Ajuda Grande integra a 2.ª Linha de Defesa de Lisboa. Erguendo-se numa plataforma natural que abre a paisagem em redor, é um daqueles lugares onde a vista — ampla, silenciosa, quase intacta — ajuda a perceber de imediato a lógica estratégica que presidiu à construção das Linhas de Torres: controlar vales, estradas e desfiladeiros, obrigando o exército invasor a expor-se a cada passo.
O reduto apresenta uma planta composta, formada por dois baluartes acoplados e três acessos. O conjunto é envolvido por um fosso, nalguns trechos escavado na própria rocha, que reforça a robustez defensiva. No exterior, um través em cotovelo defende a entrada virada a norte, enquanto no interior se identificam um paiol, cinco canhoneiras e dois traveses — um deles também em cotovelo — que completam a organização do espaço militar.
Esta obra de campo fazia parte do grupo de fortificações que protegia o corredor estratégico entre o Tejo e o Desfiladeiro de Bucelas, zona onde convergiam rotas essenciais: a estrada de Vila Franca a Alverca e a via do Sobral ao Tojal, passando por Arranhó e Bucelas. Hoje, o Forte da Ajuda Grande é um excelente ponto de observação do território e uma porta de entrada privilegiada para compreender o engenho defensivo que, em 1809-1810, travou o avanço do exército de Masséna.