JULHO 2026 A DEZEMBRO 2026

Linhas sem Fios

Um documentário que lhe fala de uma faceta menos conhecida das Linhas de Torres

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Como se transmitia uma ordem militar ao longo de mais de 80 quilómetros, numa época em que não existiam telefone, rádio ou qualquer outro meio de comunicação instantânea moderno? A resposta encontra-se no mais recente episódio de Linhas com História, dedicado ao sistema de telegrafia óptica utilizado durante a Guerra Peninsular nas Linhas de Torres. 
Ao longo do documentário, o capitão-de-mar-e-guerra (R) Rui Manuel de Sá Leal conduz o espectador desde a invasão francesa de 1807 até à construção das Linhas de Torres, explicando de que forma Wellington percebeu que a rapidez das comunicações seria decisiva para o sucesso do seu plano defensivo. Mais do que erguer fortes e redutos, era necessário criar um sistema capaz de transmitir ordens em poucos minutos entre pontos distantes do dispositivo militar. 
O filme apresenta os diferentes sistemas de telegrafia óptica existentes na época, as suas limitações e as razões que levaram Wellington e os seus engenheiros a adotar um modelo próprio, baseado em balões e bandeiras, suficientemente simples para utilizar o código da Marinha Britânica e suficientemente rápido para responder às exigências do campo de batalha. A demonstração do funcionamento deste engenhoso mecanismo constitui um dos momentos mais interessantes do documentário. 
Mais do que um episódio dedicado à tecnologia militar, Linhas sem Fios revela uma faceta menos conhecida das Linhas de Torres: a importância da informação e da capacidade de coordenação num sistema defensivo que dependia tanto da rapidez das ordens como da robustez das fortificações. Uma viagem ao tempo em que a velocidade de uma mensagem podia decidir o destino de uma campanha militar.
 

Como amar o Bombarral

Ana Raquel Machado e Madalena Santos conversam no InvadeCAST 7

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É habitual apresentar-se uma terra enumerando monumentos, restaurantes ou paisagens. Madalena Santos prefere começar pelas pessoas. Proprietária do alojamento local Flat 23, no Bombarral, acredita que receber um hóspede é muito mais do que entregar uma chave: é apresentar-lhe um território, despertar-lhe a curiosidade e ajudá-lo a descobrir uma região que tantas vezes passa despercebida a quem apenas atravessa o Oeste em trânsito de ou para a capital. 

Ao longo da conversa com Ana Raquel Machado, a convidada do sétimo episódio do InvadeCAST explica como o Bombarral se tornou o ponto de partida para essa missão. O enoturismo ocupa naturalmente um lugar de destaque, graças às quintas da região e à forte identidade vitivinícola do concelho, mas não esgota a experiência. O Bacalhôa Buddha Eden, os pomares, a paisagem agrícola e a proximidade dos restantes municípios do Oeste fazem parte de uma oferta que, na sua opinião, deve ser promovida de forma integrada. “Juntos, somos mais fortes”, resume, recordando as parcerias que tem desenvolvido para dar a conhecer o território. 

A conversa passa também pelas Linhas de Torres e pelo património histórico do concelho, em particular pela Batalha da Roliça (de que lhe falamos noutro artigo), cuja relevância histórica considera poder vir a afirmar-se como motivo de visita. Para Madalena Santos, recriações históricas, percursos pedestres, gastronomia, natureza e património devem ser vistos como partes de uma experiência integrada, capaz de atrair visitantes e de os incentivar a regressar. 

No final regressa-se, como não podia deixar de ser, ao Flat 23. Instalado numa casa de família construída em 1943, o alojamento é apresentado menos como um espaço para dormir do que como uma casa com histórias para contar. É essa memória, aliada ao gosto de receber e ao profundo afecto pelo Bombarral, que faz da hospitalidade a sua principal marca. Porque, como Madalena deixa claro ao longo de toda a entrevista, promover uma terra começa sempre por quem nela vive e gosta de a partilhar com os outros. 

Rota Histórica recebe prémio na Europa

O livro Jean, John e João e o jogo Napoleão Bonaparte - o princípio do fim estiveram na origem da distinção

ARota Histórica das Linhas de Torres foi distinguida na 1.ª edição do Prémio Internacional Destination Napoleon, tendo recebido o prémio na categoria Cultural and Educational Exchanges for Youth, em reconhecimento pelo trabalho desenvolvido na área da mediação cultural e educativa junto dos públicos mais jovens.

A distinção premiou, em particular, a valorização e utilização dos recursos pedagógicos “Jean, John e João” e do jogo de tabuleiro “Napoleão Bonaparte – O Princípio do Fim”, instrumentos que têm contribuído para aproximar as novas gerações da história das Invasões Francesas em Portugal e do património associado às Linhas de Torres. Mais do que uma distinção, para a RHLT este prémio constitui um importante reconhecimento do trabalho desenvolvido entre os seus municípios associados na valorização do património histórico, na educação patrimonial e na promoção da cidadania europeia através da cultura.

A cerimónia de entrega dos prémios decorreu no âmbito do encontro anual da Federação Europeia das Cidades Napoleónicas (FECN) – Destination Napoleon, realizado entre os dias 31 de maio e 2 de junho, em Herceg Novi, Montenegro.

O encontro reuniu representantes da rede europeia Destination Napoleon para avaliar o trabalho desenvolvido ao longo do último ano e definir as linhas estratégicas para o futuro. Entre as iniciativas destacamos a realização da Training Academy of the Council of Europe Cultural Routes, que decorreu no território da Rota Histórica das Linhas de Torres, reforçando o papel da associação no contexto das Rotas Culturais do Conselho da Europa.

Foi igualmente comunicada a atribuição, pela RHLT, do Prémio Wellington Honour à Federação Europeia das Cidades Napoleónicas, durante as comemorações do Dia Nacional das Linhas de Torres, distinguindo o trabalho desenvolvido na promoção da Rota Cultural Europeia Destination Napoleon, certificada pelo Conselho da Europa e dedicada à valorização da história partilhada e do diálogo intercultural entre os povos europeus.

Entre os projetos e iniciativas apresentados durante o encontro, a RHLT participou no Lucca Comics & Games 2025, considerado o mais importante festival europeu de cultura pop, onde foram divulgados o jogo de tabuleiro “Napoleão Bonaparte – O Princípio do Fim” e o livro “Jean, John e João”.

O programa do encontro incluiu também a apresentação de projetos europeus aprovados e submetidos com participação da RHLT, nomeadamente os projetos Med-Routes, Napo-Hist (Erasmus+) e Napo-Games (Europa Criativa). Foram ainda apresentados os resultados finais do projeto Med-Routes por Maria João Martinho, técnica da RHLT.

Ana Umbelino, vice-presidente da FECN e membro do secretariado executivo da RHLT participou igualmente na introdução e moderação do tema dedicado aos Itinerários Napoleónicos em Portugal, abordando o trabalho em rede e os modelos de governação europeia, nacional e local que sustentam o desenvolvimento destes itinerários.
 

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