JULHO 2026 A DEZEMBRO 2026

Roliça: uma casa para uma batalha

É a própria batalha que dá a este espaço a sua razão de ser

O visitante que entra no Núcleo Interpretativo da Batalha da Roliça depressa percebe que o edifício é apenas o ponto de partida. Instalado na antiga escola primária da Columbeira, o espaço recorre a painéis, meios audiovisuais, realidade virtual e réplicas à escala real de soldados portugueses, britânicos e franceses para ajudar o visitante a compreender um combate que teve lugar a escassos metros dali. Mais do que reunir objetos, procura reconstruir um acontecimento, convidando a olhar a paisagem envolvente como parte integrante da exposição. O núcleo serve ainda de ponto de partida para o Trilho da Batalha da Roliça, permitindo prolongar a visita no próprio terreno onde decorreram os combates.

Mas é a batalha em si que dá a este espaço a sua razão de ser. Travada a 17 de agosto de 1808, durante a Primeira Invasão Francesa, foi o primeiro grande confronto terrestre entre as tropas anglo-portuguesas comandadas por Sir Arthur Wellesley e o exército francês do general Henri-François Delaborde. Embora os franceses tenham conseguido retirar em boa ordem, cumprindo o objectivo de atrasar o avanço aliado, a batalha marcou o início da campanha que acabaria por conduzir à expulsão das tropas napoleónicas de Portugal. Foi também o primeiro passo da carreira militar que faria de Wellesley o futuro duque de Wellington, vencedor de Waterloo poucos anos mais tarde.

A Batalha da Roliça

A 17 de agosto de 1808, as colinas da Roliça tornaram-se palco do primeiro grande confronto terrestre entre o corpo expedicionário britânico, comandado por Sir Arthur Wellesley, e as tropas francesas do general Henri-François Delaborde. O objectivo dos franceses não era vencer a batalha, mas ganhar tempo. Em inferioridade numérica, Delaborde procurava atrasar o avanço aliado, permitindo ao general Junot concentrar as suas forças para defender Lisboa.

Conhecedor do terreno, o comandante francês escolheu uma sucessão de posições nas colinas da Columbeira, obrigando os aliados a atacar em condições particularmente difíceis. Wellesley respondeu com uma manobra de envolvimento: enquanto o centro pressionava as posições francesas, duas colunas procuravam flanqueá-las pelos extremos. A retirada francesa da primeira linha defensiva obrigou, porém, a repetir toda a operação numa posição ainda mais forte.

Foi durante este segundo ataque que ocorreu um dos episódios mais dramáticos do combate. O 29.º Regimento britânico avançou demasiado depressa por uma das ravinas, rompeu momentaneamente as linhas francesas e ficou isolado. O seu comandante, o tenente-coronel George Lake, foi morto, e a unidade sofreu pesadas baixas antes de conseguir ser socorrida. O episódio tornou-se um dos momentos mais recordados da batalha.

Ao fim da tarde, perante a crescente pressão das forças anglo-portuguesas, Delaborde ordenou uma retirada disciplinada, conseguindo preservar o essencial do seu exército. Taticamente, cumprira a missão de retardar o inimigo; estrategicamente, a vitória pertenceu a Wellesley. A Roliça foi a primeira vitória aliada da Guerra Peninsular em território português e o início da campanha que poucos dias depois prosseguiria no Vimeiro, consolidando o prestígio militar do futuro duque de Wellington.

Wellington e Delaborde
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