A Quinta do Sanguinhal, no coração do Bombarral, é um desses lugares onde o tempo não se exibe — respira-se. Propriedade de raiz oitocentista integrada na região vitivinícola de Óbidos, a quinta conserva um ambiente rural marcado pela elegância discreta das casas agrícolas do século XIX, rodeada de vinhas, jardins históricos e edifícios de trabalho que contam, no seu silêncio feito de sons da natureza, uma longa história de continuidade.
A exploração vitivinícola está nas mãos da Companhia Agrícola do Sanguinhal, fundada em 1926 por Abel Pereira da Fonseca. Desde então, o projeto cresceu em torno de três quintas — Sanguinhal, Cerejeiras e São Francisco — mantendo-se firmemente ancorado numa matriz familiar. Hoje, é a nova geração da família Pereira da Fonseca que assegura essa herança, combinando modernização técnica com respeito pelas práticas e pelos ritmos do lugar.
A visita à Quinta do Sanguinhal é, acima de tudo, uma experiência de imersão. Ao longo do percurso, atravessam-se vinhas e jardins centenários, entra-se na antiga destilaria, observa-se o histórico lagar com prensas de vara e desce-se à adega de envelhecimento, onde o vinho repousa em barricas de carvalho francês e americano. Tudo acontece sem pressa, como se o espaço pedisse ao visitante que abrande — e escute.
Uma prova comentada de vinhos revela a diversidade da produção: brancos, tintos, rosés e vinhos licorosos que refletem o carácter da região e a continuidade de um saber-fazer transmitido ao longo de décadas. Acompanham-nos sabores simples e certeiros — queijos regionais, tostas, pastéis de nata — que reforçam a dimensão convivial da experiência. Os gatos da casa, presenças tranquilas e curiosas, acompanham discretamente os visitantes, como que cientes do seu papel na receção. Num lugar onde tudo gira em torno da família, não é surpresa que até os habitantes de quatro patas assumam os seus deveres de hospitalidade.
A Quinta do Sanguinhal afirma-se como um espaço onde vinho, história e hospitalidade caminham juntos. Um lugar que não se limita a mostrar o passado, mas o integra no presente — com naturalidade, tradição e uma elegância sem ruído.
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